Bastardos Inglórios
Written on 17:24 by BillyCapra

Esperava mais sangue desse novo filme de Tarantino, esperava que os nazistas fossem assassinados aos montes, pensei que o diretor que ama a violência em filmes iria pintar e bordar, afinal, nazistas são despresíveis, Tarantino tinha verdadeiros zumbis de carne e osso, ele cavou esse espaço e agora poderia brincar com a estética da violência. Me enganei, embora a violência e o sadismo estejam presente em boa parte do filme, o diretor amadureceu, e esse amadurecimento resultou em seu filme definitivo, onde a violência pode até ser um atrativo, mas o personagem principal é a narrativa, um diretor dominando o estilo que ele mesmo criou e explorando-o sabiamente de todas as maneiras, a violência perde o posto de personagem principal dando lugar a variações do diretor.
Algumas referências, Tarantino ama o cinema de Sergio Leone ele já gritou pra Deus e o mundo que seu filme favorito é Três Homens em Conflito e na brilhante cena inicial o diretor nos remete ao mundo do faroeste, essas cenas são de uma precisão fotográfica tão extraordinária que se pausarmos a cena ela se torna facilmente um quadro depois da beleza arrebatadora muito bem orquestrada é que Tarantino entra em cena, o dialogo que segue tem a sua marca e a tensão dos podres judeus escondidos em baixo do assoalho é pontuada por tal dialogo.
Um corte e agora estamos na "cena 2", outra marca do diretor, a cena além de numerada tem um título, agora estamos com os Bastardos, o grupo nos é apresentado ao mesmo tempo que é apresentado aos reféns nazistas, Tarantino brinca ao fazer tais apresentações e de cara nós dá um personagem daqueles que ficam marcados por um bom tempo, por ser o que é, e pela maneira que é apresentado o "Urso Judeu" que mata seus escalpos nazistas com um taco de beisebol. Um fato interessante que notei, é que a essa altura o filme já havia completado a sua primeira hora, mas minha sensação é de ele estava nos seus primeiros dez minutos e é essa lembrança que fez com que eu julgasse o filme como uma verdadeira obra-prima além dos limites de ser bom ou ruim, é bom ou ruim?
É marcante e divertido, um filme de guerra onde os fatos reais não tem relevância alguma, um filme de 153 minutos que poderia ter tranquilamente quatro horas pelo prazer proporcionado.
Não vou escrever muito sobre a terceira parte, pontuada por mais um bom punhado de diálogos Tarantinescos, onde a vingança (sempre ela)toma forma, toma corpo e toma o filme assim como em Kill Bill o corpo e a forma feminina, a vingança feminina que e´articulada passo a passo não deixando passar nenhum detalhe, valorizando, algo belo e poético que nas mãos do diretor se inserem nesse contexto, nessa guerra escrita e dirigida por um homem onde tudo pode acontecer na próxima cena, até mesmo a morte do mal tal como grosseira e ao mesmo tempo brilhantemente imaginado.







